Treinamento

UMA ESTAÇÃO DE TREINAMENTO
QUE CHEGA EM UMA KOMBI
CHEIA DE EQUIPAMENTOS COLORIDOS.
 
É O COMEÇO DE UMA AULA PLIO-E-MOVIMENTO
DO PROJETO MULHER.

 

As praças onde o Projeto Mulher acontece já há 09 anos, não serão mais as mesmas. As “mulheres-de-preto” (a cor-base das roupas de ginástica da turma já virou uma marca registrada, assim como seu logo multicolorido) do Projeto Mulher contarão agora com uma Estação Plio que vem até elas a bordo de uma Kombi toda adesivada, coloridíssima.
 
O porta-malas da Kombi se abre. A treinadora, que chega antes de todo mundo, tira de dentro peças inusitadas para o local: cama-elástica, bolas coloridas, disk-seats, colchonetes, bloquinhos, cordas de pular e mil-e-hum elásticos. A praça fica mais colorida. As outras pessoas que se exercitam param para olhar.


ESTAÇÃO PLIO.
UMA EXCLUSIVIDADE DO
PROJETO MULHER.

Vai começar uma aula diferente.
“A diversidade de exercícios é fundamental para ampliar o condicionamento físico das alunas”, conta Cris Carvalho, Diretora Técnica do Projeto. “E agora com a Estação Plio, com os aparelhos, podemos oferecer muito mais diversidade”, complementa.
 
A diversidade é importante não apenas por uma questão anti-monotonia ou de simples ampliação de repertório de exercícios para as alunas. Mas sim por que ela atua diretamente sobre a performance. “Os músculos respondem melhor quando estimulados de muitas formas, se fortalecendo mais rápido”. E o que é tremendamente importante: “alguns exercícios que oferecemos – como os de equilíbrio –, trabalham o sistema nervoso, melhorando as respostas corporais. O sistema neuro-muscular como um todo se beneficia”, explica Cris.
 
Pesquisas recentes comprovam a importância deste estímulo que integra cérebro e músculos, para a melhoria da performance. Como? Através da economia do movimento. “É sabido que alguns exercícios nos ensinam, nos tornam mais aptos a desenvolver uma economia nos movimentos, uma melhora em sua mecânica. Por exemplo propiciando que as passadas que damos impulsionem as próximas”.
Durante a corrida, até 60% da energia mecânica da passada anterior pode ser recuperada para a próxima passada, sendo necessário despender apenas os 40% restantes através de reações metabólicas, deste modo, quanto mais energia se aproveitar das passadas precedentes, menor será o desgaste durante a corrida e, conseqüentemente, maior a performance”.
(Paulo Gentil, Pliometria para corredores)

A Pliometria que o Projeto Mulher está trazendo para as praças da cidade e para suas alunas é uma técnica de treinamento voltada para esta sinergia. “Basicamente a Pliometria trabalha os exercícios buscando força, potência e velocidades. Seu objetivo, de aumentar a capacidade do músculo armazenar energia elástica, resulta em um melhor desempenho por exemplo, nas corridas “, ilustra Cris Carvalho.” Os exercícios mais característicos envolvem o saltar, ou seja, encolher o músculo como uma mola e fazê-lo se extender”, completa.
 
Em um estudo feito com atletas de elite, pesquisadores finlandeses verificaram que a substituição de um terço do treino de corrida por treinos de força explosiva, incluindo a Pliometria, resultava em melhoras na performance da corrida de 5 km, enquanto o treino convencional não modificava os resultados. No estudo, as melhoras foram altamente relacionadas à maior economia de corrida, maior potência muscular e menor tempo de contato com o solo durante as passadas (Paavolainen et al, 1999).

Mesmo antes de poder oferecer às suas alunas a Estação Plio, os treinamentos do Projeto Mulher baseavam-se em circuitos múltiplos, em alternância entre exercícios aeróbicos e de força, tudo isso criando um melhor condicionamento físico.

TÁ RUSSO.

A Pliometria foi idealizada por um especialistas russo, o Professor Doutor Yury Verkhoshanski, uma autoridade mundial em treinamento desportivo. Chamado por ele de método de choque, surgiu no final dos anos 50 e rapidamente começou a ser difundido uma vez que ótimos resultados haviam sido obtidos por Verkhoshanski, em seus trabalhos como treinador da sociedade russa de atletismo estudantil.
 
A Estação de Treinamento do Projeto Mulher não adota exclusivamente a Pliometria, embora se inspire bastanete nela. “Acho que podemos falar em treinos funcionais no Projeto Mulher”, conceitua Cris Carvalho. “ O treino funcional que também utiliza aparelhos como estes, se pauta pelo planejamento das atividades levando em conta as necessidades e objetivos de quem os faz. Ou seja: o exercício em função dos objetivos e das aptidões de quem pratica. Por isso funcionais, tem uma função: fazer melhor a vida de cada um”, complementa.

Pliometria, funcionalidade. A partir de agora nas praças com o Projeto Mulher. Por isso não se espante ao ver as alunas, daqui para frente se exercitando entre pulos, saltos e aparelhos. Não é simples pula-pula-pula. É vontade de ir mais longe.

 

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